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Quando em 1540, Etienne Dolet no seu
tratado de pontuação precisa que o ponto sou põe-se em fim
de frase e nunca em outro lado, sua insistência não é
exagerada. Porque o ponto (a origem da palavra pontuação)
passeou em toda a frase. No sistema á Idade Média, o ponto
muda de significação segundo a sua altura. Em baixo
(pontuação fraca), a meia-altura (pontuação mediana), em
cima (pontuação forte). Mas, as alturas não eram sempre
legíveis.

Ponto alto, ponto médio
e ponto baixo (pormenor)
Por isso, a Idade Média criou
dispositivos complementares. Assim, o punctus versus
(um sósia do nosso ponto vírgula) substituiu se
frequentemente ao ponto alto (forte) para concluir uma
frase.

Punctus versus usado
como ponto final.
Século XII
A partir do século XII, a significação do
ponto depende menos da sua altura e mais da letra que o
segue : uma minúscula e o ponto é fraco, uma maiúscula e o
ponto é forte (falamos hoje de ponto final). As bodas do
ponto e da maiúscula deram a época do Renascimento o ponto
que conhecemos.
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A vírgula nasceu também para não
confundir a altura do ponto. A escrituras do século XIII
usam uma barra oblíqua para a pontuação fraca, chamada
virgula suspensiva, que evita toda confusão com outro
sinal. Talvez a inspirou a diastola, a barra que separava
duas letras soldadas por erro. O sucesso desta virgula
rígida durou até ao século XVII devido a sua diferencia e
sua complementaridade evidentes com o ponto. Foi em Itália
ao século XV que ela desceu e arredondou-se para dar a nossa
vírgula.

O tratado da pontuação
de Etienne Dolet.
A edição de 1542 usa a
virgula suspensiva. A edição de 1540 usa a vírgula
arredondada
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O ponto e vírgula é um instrumento de
precisão. Mas em verdade, ele se faz raro numa época que
valoriza as frases curtas e eficazes.
Para um novice, os textos da Idade Média
parecem cheios de pontos e vírgulas, muitos bem
reconhecíveis. Mas o ponto e vírgula não existia
oficialmente porque aparecera só
ao início do século XVI. A fisionomia do sinal existia desde
o século VIII, com valores diferentes. Era o punctus
versus, pontuação final forte, que designava uma chuta
da voz e era mesmo igual ao nosso ponte final. Por isso, era
omnipresente. Para acrescentar a confusão, o ponto e vírgula
servia também a resumir a terminações latinas (escrevia se
at; para atque ou partib;
para partibus...).

Assento de baptismo de
1722.
O ponto e vírgula serve
para abreviar baptisei em bap;
Os primeiros impressores o chamavam
"pequeno-qué" (por causa da terminação "que"). Enfim,
deve-se lembrar que o ponto e vírgula servia de ponte de
interrogação em grego.
O ponto e vírgula moderno data de 1495
quando foi imprimido o De AEtna do humanista Pietro
Bembo. Seu impressor, o veniciano Alde Manuce, é o
verdadeiro introdutor do sinal. Seu neto, Alde o moço, no
seu tratado Epitome orthographiae (1575) admite que o ponto
e vírgula é o sinal o mais difícil ("inter omnes notas
[...] esse omnium difficillimam"). Ele explica que era
necessário um sinal para marcar uma separação intermediária
entre os dois pontos ("o que atrasa muito a frase") e a
vírgula ("insuficiente"). Notamos a preocupação com uma
calibragem muito precisa do peso de cada sinal.

De AEtna (1495) de
Pietro Bembo
Primeiro aparecimento do
ponto e vírgula actual.
Linha 4, vê-se também um
ponto e vírgula abreviativo (deniq; para denique)
Resultando dos humanistas italianos, foi
disseminado pela influencia da imprensa veniciana. Esses
humanistas imitam a elegância e eloquência dos autores
antigos de novo descobridos. Sem recusar a sua lógica, pedem
a pontuação de revelar visualmente, para uma leitura
silenciosa, a arquitectura oratória da frase com todas as
suas articulações. Usam sinais existentes como o ponto, a
virgula suspensiva
(uma barra), o punctus elevatus e para separar
esses dois sinais, uma
virgula suspensiva apontada (uma barra com um ponto no
meio). Segundo o historiador Malcom B. Parkes, seria esta
antiga virgula suspensiva
apontada que transposaram Pietro Bembo e Alde Manuce em o
nosso ponto e vírgula moderno. O punctus versus ao
qual foi usurpado a forma já não era usado pelos copistas
italianos desta época.

Virgula suspensiva
apontada Itália, 1399
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O ponto de interrogação
A Idade Antiga não conhecia este sinal.
Usava partículas ou advérbios interrogativos para as
perguntas. O ponto de interrogação carolíngio faz parte do
sistema de pontuação nascido no século VIII : as
positurae marcavam as inflexões melódicas e as pausas
oratórias da voz em textos destinados à liturgia ou
declamação.
Essas positurae desapareceram do
repertório das pontuações atuais. O punctus
interrogativus é a única positura que
sobreviveu intacta por doze séculos ; a imprensa se
contentara em endireitá-la e arredondá-la. Não tendo nenhuma
ambigüidade, até foi adotada por línguas não ocidentais.
Hoje seu uso é planetário, com suas variantes ou adaptações.
Como, por exemplo, o ponto invertido (¿) ibérico, anunciando
o início de uma questão, resultante de uma recomendação de
1754 da Real Academia Espanhola.
O ponto de exclamação
Se os sinais tivessem nacionalidade, o
ponto de exclamação seria italiano. Por volta de 1360, o
autor de uma Ars punctuandi (arte da pontuação)
afirmava ser o inventor do punctus admirativus,
barra inclinada para a direita, com dois pontos alinhados
abaixo. Este símbolo seria inspirado em seu duplo, o
scandicus, notação musical primitiva (neuma), marcando
notas ascendentes. Esses sinais musicais eram gráficos
conhecidos, já que os cantores aprendiam de cor as pinturas
de neuma, reproduzidas em diversos manuscritos de século em
século.
As reticências
As reticências foram popularizadas no
início do século XVII pelo teatro impresso. É a solução
tipográfica encontrada pelos editores para representar a
interrupção de um diálogo. No século XVIII, este "ponto de
omissão" ou "ponto de interrupção" ainda pode contar mais de
três pontos. O inglês encontra um pouco de ar estranho neste
signo, já que um de seus nomes é French dots ; ele
prefere o traço a eles.
O sinal é rapidamente adotado. Não é raro
que essa série de pontos seja usada de forma sugestiva, como
um artifício de autocensura que deixa a imaginação do leitor
livre.
Os dois-pontos
O ponto duplo é um dos sinais mais
antigos. Foi usado como pontuação forte na Idade Antiga. O
sinal que conhecemos deriva do punctus elevatus
medieval (ponto encimado por um acento agudo), que
inicialmente marcava uma separação mediana entre duas frases
com significado em si, mas que precisavam ser conectadas
para formar um significado completo. Pertencia ao sistema
das positurae.
Permaneceu por muito tempo o único sinal
de separação mediana (antes da aclimatação do ponto e
vírgula). No século XVIII, ele se especializou no
papél de anunciar ou enunciar. Assim ganhou em precisão,
graças a uma divisão de tarefas com o ponto e vírgula.
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