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Distrito de Beja

 

O Distrito de Beja é totalmente integrado na Região do Alentejo e é banhado pelo rio Guadiana ao leste e atravessado pelos rios Mira e Sado, que nascem na Serra do Caldeirão, onde se situa a altitude máxima da região, 577 m.

 

As minhas férias de verão 2008, 2009 e 2018 foram a ocasião de visitar o distrito e particularmente os lugares dos antepassados.

 

 

 

Distrito

 

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Concelhos

Beja

Mértola

Moura

Serpa

 

 

 

I. Síntese

 

Presença no distrito : da 11ra até a 6ta geração

Por lembrança, os distritos constituem uma divisão administrativa de Portugal Continental criados em 1835.

 

Epoca coberta : fim do século XVII (sem fontes confirmando as datas) até ao meio do século XIX.

As pesquisas dos antepassados do distrito devem proseguir-se. Mas serão difíceis a realizar pois chegei até a 11ra geração ao incio do século XVIII. Além, já não consigo decifrar os assentos.

 

Distribução : 4 concelhos, principalmente Beja e Mértola

 

 

II. História

 

O Alentejo foi colonizado no século XII por nobres senhores e por dignitários de Ordens Religiosas que ao expulsarem os mouros se apropriaram de vastas parcelas do território. O Rei de Portugal lhes outorgou as terras sob a designação de Honras (aos nobres) ou Coutos (às Ordens Religiosas). Existiam então áreas de cultura agrícola florescente : "nos finais do século XV era o trigo alentejano que principalmente abastecia os fornos do biscoito de Vale de Zebro, como aliás todo o sul do país, até Lisboa". Mértola, Serpa e Beja, eram centros fornecedores do mercado algarvio, que pela sua composição geológica não se coadunava com o cultivo de cereais.1

 

O território onde viviam os meus antepassados era administrado pela Comarca2 de Beja, da vasta antiga Província do Alentejo. A comarca era subdividida em 14 concelhos e 67 freguesias3. Em 1801 (primeiro censo de ambito nacional), a população era estimada a 49 931 almas, distribuida em 13 529 fogos (contados em sómente 61 freguesias)4.

 

Durante a época coberta pelo meus antepassados (século XVIII e primeira parte do século XIX), a população alentejana, na sua esmagadora maioria, vive nos limites da pobreza4 e não se beneficia do forte incremento do comércio externo do reino. Pelo contrário, pode-se considerar que a situação econômica vai piorando :

-  Por alvará de 1765, para travar um surto de sobreprodução de vinho, o Marquês de Pombal mandou arrancar as vinhas do Vale do Tejo, do Mondego e do Alentejo, que vê a sua produção reduzida à cultura cerealífera.1

- Os capitalistas rurais tornam-se os principais beneficiários da passagem das herdades, cultivadas pelos próprios lavradores, a herdades de cavalaria (sem habitadores). E a fim de impedirem a sua cultura e ocupação, mandam a demolição ou ruína das casas, oficinas e abegoarias. Nos finais do século, só 10 a 20 por cento do total de terras são regularmente cultivadas.1

 

O Alentejo despovoa-se durante o século XVIII. Henriques da Silveira afirma que todas as povoações da província, a excepção das praças de guerra, tinham menos moradores nos finais do século que por 1700. A comarca de Beja, entre 1788 e 1801, perde 1 863 habitantes apesar duma forte natalidade.4 Por toda a parte - continua Henriques da Silveira -, se descobriam edifícios por habitar, "espantosas ruinas, aldeias e lugares em decadência"5. No último quartel do século, "o Intendente Pina Manique depois de constatar que na província do Alentejo existiam 2165 casas sem inquilinos e 721 herdades sem rendeiros colocou o seu despotismo ao serviço da revitalização do Alentejo, através de um processo de repovoamento forçado".1

 

O bispo de Beja, D. Manuel do Cenáculo, constata igualmente o despovoamento do Baixo Alentejo, na segunda metade de Setecentos, atribuindo às epidemias, o declínio demográfico do sul da província6.

 

Em 1801, o historiador, escritor e poeta britânico Robert Southey, especialista da história portuguesa, visita o sul do país e dá-nos uma visão sombria do Alentejo, as povoações com as casas destelhadas ou esburacadas, o povo morrendo á fome, sem pão, leite ou vinho, vegetando em condições tão primitivas e deprimentes que se interroga : "será que esta gente são selvagens ?"7

 

Este quadro de vida explica, sem muita dúvida, que Manoel Francisco dos Reis decidiu deixar o seu Alentejo natal para casar com uma menina de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra.

 

 

III. Mapa dos concelhos

 

Beja Mértola mapa

 

 

 

Fontes e notas

 

1 Contributos para o conhecimento sobre o passado do alentejo, Marcos Olímpio Gomes dos Santos, Évora, 2011

 

2 As comarcas designam as subdivisões administrativas e judiciais constituídas ao século XVII para dividir as províncias e que correspondiam, aproximadamente, às áreas dos atuais distritos administrativos.

 

3 Hoje, e após a reforma administriva de 2013, o Distrito é dividido em 14 concelhos, ou municípios, e 75 freguesias.

 

4 A população portuguesa nos inicios do século XIX, Fernando Alberto Pereira De Sousa, Universidade do Porto, 1979. O Concelho de Beja acusa quatro vezes uma taxa de nascimento superior a 40 por mil entre 1781 e 1788. Mas, em verdade, o concelho regista também taxas de mortalidade compreendidas entre 27,8 por mil para 1783 e 46,6 por mil para 1786.

 

As referências seguintes são também tomadas da dissertação de Doutoramento de Fernando Alberto Pereira De Sousa.

 

5 Racional discurso sobre a agricultura...de Alem-Tejo", ob. cit., I, p. 52.

 

6 Jacques Marcadé, Une comarque portugaise.... p. 57 e 189.

 

7 Adolfo Cabral, Southey e Portugal, Lisboa, 1959, p. 350.

 

 

  

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