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I. Síntese
Presença no distrito : da 11ra
até a 6ta geração
Por lembrança, os distritos constituem
uma divisão administrativa de Portugal Continental criados
em 1835.
Epoca coberta : fim do século XVII (sem
fontes confirmando as datas) até ao meio do século XIX.
As pesquisas dos antepassados do distrito
devem proseguir-se. Mas serão difíceis a realizar pois
chegei até a 11ra geração ao incio do século XVIII. Além, já
não consigo decifrar os assentos.
Distribução : 4 concelhos, principalmente
Beja e Mértola
II. História
O Alentejo foi colonizado no século XII
por nobres senhores e por dignitários de Ordens Religiosas
que ao expulsarem os mouros se apropriaram de vastas
parcelas do território. O Rei de Portugal lhes outorgou as
terras sob a designação de Honras (aos nobres) ou Coutos (às
Ordens Religiosas). Existiam então áreas de cultura agrícola
florescente : "nos finais do século XV era o trigo
alentejano que principalmente abastecia os fornos do
biscoito de Vale de Zebro, como aliás todo o sul do país,
até Lisboa". Mértola, Serpa e Beja, eram centros
fornecedores do mercado algarvio, que pela sua composição
geológica não se coadunava com o cultivo de cereais.1
O território onde viviam os meus
antepassados era administrado pela Comarca2 de Beja, da
vasta antiga Província
do Alentejo. A comarca era subdividida em 14 concelhos e 67
freguesias3. Em 1801 (primeiro censo de ambito
nacional), a população era estimada a 49 931 almas,
distribuida em 13 529 fogos (contados em sómente 61
freguesias)4.
Durante a época coberta pelo meus
antepassados (século XVIII e primeira parte do século XIX),
a população alentejana, na sua esmagadora maioria, vive nos
limites da pobreza4 e não se beneficia do forte incremento do comércio externo do reino.
Pelo contrário, pode-se considerar que a situação econômica
vai piorando :
- Por alvará de 1765, para travar
um surto de sobreprodução de vinho, o Marquês de Pombal
mandou arrancar as vinhas do Vale do Tejo, do Mondego e do
Alentejo, que vê a sua produção reduzida à cultura
cerealífera.1
- Os capitalistas rurais tornam-se os
principais beneficiários da passagem das herdades,
cultivadas pelos próprios lavradores, a herdades de
cavalaria (sem habitadores). E a fim de impedirem a sua
cultura e ocupação, mandam a demolição ou ruína das casas,
oficinas e abegoarias. Nos finais do século, só 10 a 20 por
cento do total de terras são regularmente cultivadas.1
O Alentejo despovoa-se durante o século
XVIII. Henriques da Silveira afirma que todas as povoações
da província, a excepção das praças de guerra, tinham menos
moradores nos finais do século que por 1700. A comarca de
Beja, entre 1788 e 1801, perde 1 863 habitantes apesar duma
forte natalidade.4 Por toda a
parte - continua Henriques da Silveira -, se descobriam
edifícios por habitar, "espantosas ruinas, aldeias e
lugares em decadência"5. No último quartel
do século, "o Intendente Pina Manique depois de
constatar que na província do Alentejo existiam 2165 casas
sem inquilinos e 721 herdades sem rendeiros colocou o seu
despotismo ao serviço da revitalização do Alentejo, através
de um processo de repovoamento forçado".1
O bispo de Beja, D.
Manuel do Cenáculo, constata igualmente o despovoamento do
Baixo Alentejo, na segunda metade de Setecentos, atribuindo
às epidemias, o declínio demográfico do sul da província6.
Em 1801, o historiador, escritor e poeta
britânico
Robert Southey, especialista da história portuguesa,
visita o sul do país e dá-nos uma visão sombria do Alentejo,
as povoações com as casas destelhadas ou esburacadas, o povo morrendo á fome,
sem pão, leite ou vinho, vegetando em condições tão
primitivas e deprimentes que se interroga : "será que
esta gente são selvagens ?"7
Este quadro de vida explica, sem muita
dúvida, que
Manoel
Francisco dos Reis decidiu deixar o seu Alentejo natal para
casar com uma menina de Oliveira do Hospital, no distrito de
Coimbra.
III. Mapa dos concelhos

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